sábado, 25 de dezembro de 2010

Na disposição para amar

Hoje, revendo o filme de Kar Wai Wong  "In the Mood for Love", traduzido no Brasil como "Amor à Flor da Pele" (título que na minha opinião não tem muito a ver com o filme) relembrei de quando o vimos, alguns viciados em happy end saíram indignados pelo final ("-Filme Ruim.." - diziam).
A insistência de negar constantemente prováveis conclusões  em nossas vidas é algo que beira ao tétrico. O vício de sempre sermos paparicados por tudo, de ter uma babá permanente, traz consigo o atestado de alienação constante,  não permitindo viver experiências além do próprio quintal.

Este conto Zen tem um pouco disto:

Apenas duas palavras


Havia um certo monastério Soto Zen que era muito rígido. Seguindo um estrito voto de silêncio, a ninguém era permitido falar. Mas havia uma pequena exceção a esta regra: a cada 10 anos os monges tinham permissão de falar apenas duas palavras. Após passar seus primeiros dez anos no monastério, um jovem monge foi permitido ir ao monge Superior. 
"Passaram-se dez anos," disse o monge Superior. "Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?" 
"Cama dura..." disse o jovem. 
"Entendo..." replicou o monge Superior. 
Dez anos depois, o monge retornou à sala do monge Superior. 
"Passaram-se mais dez anos," disse o Superior. "Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer?" 
"Comida ruim..." disse o monge. 
"Entendo..." replicou o Superior. 
Mais dez anos se foram e o monge uma vez mais encontrou-se com o seu Superior, que perguntou: 
"Quais são as duas palavras que você gostaria de dizer, após mais estes dez anos?" 
"Eu desisto!" disse o monge. 
"Bem, eu entendo o porquê," replicou, cáustico, o monge Superior. "Tudo o que você sempre fez foi reclamar!" 

P.S.: Nada me faria mais feliz do que rever minha companhia vestida como a Maggie Cheung neste filme, seria uma imagem para continuar a reviver, até em sonhos. 
Pra ela que um dia talvez  leia:

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