domingo, 14 de novembro de 2010

Dialogar e dialogar....

"Há coisas que melhor se dizem
calando."
Machado de Assis









 Não foram poucas as vezes que cheguei no limite de desistir ao travar diálogos.
Na prática a maioria deles não se sustentavam, muito provavelmente, por que no exercício de falar, esquecia de algo fundamental: a língua escrita ou falada é a menos eficaz para resumir ou expor o que existe em nós, como indivíduos ou em relacionamentos. 
As ações baseadas quase que exclusivamente em diálogos, por mais minuciosos que sejam, colocam abaixo qualquer boa intenção.
Quase sempre não levam em conta as limitações de ambas as partes ou tão pouco o inesperado. 
Por isto, não dialogue (ou discuta relações) demais, nem espere grandes mudanças em mirabolantes planos, estas se ocorrerem, serão quando tudo que for realmente significativo, estiver defronte aos olhos; nas relações, quando o que realmente importar for a simples companhia. 
Por isto hoje, aprendi e prefiro o silêncio, do que toda a distância  que as palavras me criaram.


P.S.: Lembrei-me de Milan Kundera:

“A primeira traição é irreparável. 
Provoca uma reação em cadeia de novas traições,
cada uma das quais afasta-nos mais e mais do ponto de nossa traição inicial."

A Insuportável Leveza do Ser 

E qual seria a primeira traição? Talvez seja a descrença de que não sobreviveremos ao que hoje chamamos de nossos defeitos.

Um comentário:

  1. Grandes verdades... Eu mesmo quase sempre lamento o esforço perdido com os diálogos, porque inúteis. Eles atingem apenas a superfície de uma relação e quase nunca tocam o essencial, consumindo, por outro lado, uma energia enorme. Much adoo for nothing.

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