segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Tranquilidade Bovina

"Mas que cidade?
Que espécie de gente é essa?
Quando campeia em uma cidade a injustiça,
é necessário que alguem se levante.
Não havendo quem se levante,
é preferível que em um grande incêndio,
toda cidade desapareça,
antes que a noite desça."
Bertolt Brecht

Seguidamente vejo nossa governadora se justificar, automaticamente lembro da situação das fundações estatais, onde os recursos materiais e humanos se deterioram, muitas delas foram criadas para fins que hoje (assim como antes) pouco se justificam.
A máquina estatal vegeta em uma estrutura arcaica, servidores profissionalmente desvalorizados, ambientes de trabalho decrépitos, de forma que tudo parece ter sido planejado para maquiar de mendicância e permitir todo o tipo de fisiologismo político.
A maioria da população é o gado desta província, sobrevivendo na lama esperando uma oportunidade divina pra sair daqui ou desta condição. Alimentando gordos carrapatos, esperando tranqüilidade doméstica e quem sabe um pouco mais de capim.
Brecht se tivesse percorrido o continente americano, principalmente nestes dias, teria ampliado a expressão de analfabetismo político tendo como exemplo a na minimamente questionável, história do populacho latino.
Hoje temos a noção da maioria dos problemas, conhecemos até mesmo quem os produz, o fato é que não queremos nos envolver, contestar.
A esquerda praticamente desapareceu, os poucos que arrotam revolução são rabiscos de pequenos discursos ideológicos, soluções de uma tecnocracia atrasada. A nossa classe endinheirada continua a viver despreocupadamente todos os pequenos e grandes prazeres, tudo garantido por um sistema legal criado unicamente para beneficiar estes se por ventura precisarem se justificar.
Todo o povo merece seu governante e isto é uma recíproca, se para quem ler isto servir de consolação.

Um comentário:

  1. O que me encanta é a cobertura jornalistica da crise do atual governo. Chega a ser piada.
    Estamos em tempo de imaginar um novo tipo de anafalbetismo. Hoje em dia, não basta mais saber ler, é preciso saber interpretar a informação que se lê na mídia. E o nosso Estado é vítima de um "analfabetismo midiático", pois as pessoas leem as manchetes dos jornais e pensam "ah, coitada, o MP tá perseguindo a inocente governadora!". E somos embalados na ilusão da "superioridade" gaúcha, da suposta politização gaúcha, enquanto o Estado definha a olhos vistos.

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