"Acredito que o momento está perto
quando num processo de pensamento paranóico,
eu conseguirei sistematizar a confusão
e contribuir para a total descrença do mundo real."
Salvador Dali
Provavelmente nada representará tão bem o conflito entre amantes como a película de Buñuel e Dali em um “Un Chien Andalou”. Em seus 17 minutos de surrealismo, a razão é o único absurdo improvável para demostrar o que é real no desejo. O objeto socialmente aceitável definha travestido e assexuado, o desejo puro é reprimido por terror e náusea até o que a potência agonizando na razão se disforma totalmente arrastando-se naquilo que chamamos moral. Perde-se o método e no momento em que é nos devolvido a morte trágica é o que nos resta. Perdeu-se o que não se queria, lembrar não é necessário. Saciar a vaidade de tomar o que é nosso e finalmente afogar os egos nesta inutilidade. Quando tudo se consumir, nos reencontramos, passamos pelos trapos das mágoas e delas debochamos; nos abraçamos e só então podemos viver a liberdade que a muito não nos permitíamos.
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